Uma experiência do Teatro-Fórum no Mestrado em Desenvolvimento e Gestão Social
Valeria Giannella e Paula Schommer
18 de Março de 2008 -
CIAGS – Escola de Administração da UFBA
A idéia de experimentar a técnica do Teatro Fórum (TF) decorreu do interesse que ela despertou na turma da trilha curricular em Metodologias não Convencionais, oferecida pela Profa. Valeria Giannella, no segundo semestre de 2007, no âmbito do Mestrado Multidisciplinar e Profissionalizante em Desenvolvimento e Gestão Social.
O TF é uma das técnicas da família do Teatro do Oprimido, idealizada por Augusto Boal, a partir da década de 1960, e usada hoje no mundo inteiro para envolver na análise de problemas da mais variada natureza as pessoas por eles atingidas.
Muito sinteticamente, o TF procede da seguinte forma: um grupo oportunamente formado constrói uma cena de TF, capaz de representar o problema em questão para o público interessado. Este público é composto pelos chamados espect-atores. Na hora marcada, a cena é representada e, em seguida, um “coringa”, instiga a discussão dos presentes em relação ao que foi visto. Qual o problema? Quais aspectos chamam mais atenção? Em que, concretamente, poderia se intervir para transformar a situação dada?
Enquanto a discussão “vai pegando”, o coringa solicita os espect-atores a entrar na cena e mudá-la conforme sua idéia de solução do problema. Assim, a cena é repetida, integrando os novos atores e reformulando o que foi anteriormente encenado, com as novas contribuições.
Assiste-se, assim, a várias re-interpretações da cena original, oferecendo a cada vez a possibilidade de uma discussão concreta e ampla sobre as várias possíveis estratégias de solução do problema.
No experimento proposto, quisemos aplicar esta técnica ao próprio contexto de nossa convivência: o Mestrado Multidisciplinar e Profissionalizante em Desenvolvimento e Gestão Social. A partir da cena de TF apresentada, buscou-se envolver a comunidade do Mestrado, em todas suas componentes, na reflexão e avaliação de nosso curso, a partir das dificuldades enfrentadas, já que esta é um estratégia que valoriza os problemas como ocasiões de reflexão, aprendizado e aprimoramento dos contextos de relação e ação.
A cena, representada por três mestrandos em gestão social e por uma estudante de artes cênicas, que colaborou com o grupo, mostrava um momento de conversa informal a respeito do curso entre três mestrandos, com a posterior entrada de uma pessoa que representava a coordenação do curso e, de certa maneira, seu corpo docente. A conversa estava focada inicialmente na relação problemática entre orientador e orientando, mas chegava logo a tocar em questões mais abrangentes, que dizem respeito ao desafio geral do Mestrado.
Em seguida à representação, professores e colegas presentes (cerca de 25 pessoas) fizeram comentários e análises. Alguns toparam o desafio de interferir na cena, transformando-a. Várias questões relativas ao curso vieram à tona. Entre as questões discutidas, estiveram:
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potenciais e limites de inovação em um curso como o mestrado em desenvolvimento e gestão social, no âmbito da estrutura da universidade e do sistema acadêmico como um todo;
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o potencial e os sentidos de inovação ao se definir a noção de gestão social e o perfil de gestores sociais; relação entre gestão social e formas mais tradicionais de gestão; oportunidades para transformações no campo da gestão, de modo geral;
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tais questões motivaram uma discussão sobre o próprio conceito de inovação e sua relação com anti-convencionalidade;
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identidade – relativa ao curso e relativa à carreira em gestão social;
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questões metodológicas relativas ao curso e a programas de formação, de modo geral;
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dificuldades cotidianas na construção do curso, como falta de tempo, acúmulo de atividades, dificuldade para cumprir prazos, dificuldades de relacionamento; procedimentos formais para realização da residência social;
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possibilidade de inovações na gestão do próprio curso, aplicando metodologias da gestão social;
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oportunidades para produção compartilhada no âmbito do programa.
Foi acordado que a coordenação, depois de avaliado o teor do que emergiu, proporá desdobramentos ulteriores desta iniciativa, procurando envolver as várias componentes do mestrado numa discussão colegiada e aberta.